Natas de sementes de girassol

25 de setembro de 2021



 Esta poderia ser uma receita do meu livro Saudável e Sem Desperdício do capítulo "fazer em vez de comprar". É um dos meus capítulos preferidos porque sou uma fã do homemade  e das suas vantagens. Fazer as nossas próprias coisas é mais saudável, mais personalizado, mais barato e com menos embalagens a irem para a reciclagem. Além disso a gratificação que se sente é imensa, coisa que não acontece quando compramos já feito.




Já faço há algum tempo as nossas natas vegetais e recorro normalmente ao creme de coco ou aos cajus para as fazer, mas agora acabei por me render a estas feitas com sementes de girassol.

Apesar dos bons resultados com os cajus e o coco eu não estava plenamente satisfeita. As de coco eram demasiado doces para mim e só usava em sobremesas e as de caju, apesar de super cremosas, tornavam-se muito dispendiosas.






Porque é que eu gosto tanto das natas de sementes de girassol?

- muito baratas, 100g de sementes custam em média 0,50€ 
- muito versáteis, pode usar numa imensidão de receitas
- muito rápidas de se preparar
- podem ser consumidas por todos, mesmo quem tem alergia a frutos secos ( ao contrário das de caju)
-nutricionalmente são óptimas porque são ricas em vitamina E, vitamina B1, magnésio, ferro, fósforo e cálcio
- pode personalizá-las a seu gosto uma vez que têm sabor neutro
- podem ser congeladas em doses individuais
- não há embalagens desnecessárias
- não contêm aditivos, estabilizadores nem outras substâncias como as de compra

Muito bom, não acham?


E onde podemos usar?

Em todas as receitas que pedirem natas vegetais ou de leite, por exemplo:
-Strogonoff
-Caril
-Gratinados
-Assados
-Molhos
-Alguns bolos e sobremesas, desde que as natas não precisem de ser batidas

É uma receita muito fácil de preparar, no entanto leia tudo até ao fim, incluindo as notas que deixo e que são pequenos truques que fui aprendendo com a experiência.



Natas vegetais de sementes de girassol

75g de sementes de girassol
250ml -270ml de água
Sal q.b.


Coloque as sementes de girassol a demolhar durante 4 horas ou durante a noite no frigorífico.
Passado o tempo, coe as sementes e descarte a água da demolha.
Coloque as sementes numa picadora ou num processador com a água.
Processe tudo até obter uma textura cremosa e sem grumos.
Quanto mais picar melhor.
Se quiser uma textura mais fina pode acrescentar mais um pouco de água.
Tempere com uma pitada de sal.
Utilize nos seus pratos preferidos e guarde o que restar num frasco de vidro no frigórico durante 4 dias.
Antes de usar agite bem o fresco porque como não tem estabilizantes, a parte sólida separa-se da parte liquida, é normal. 
Se preferir pode congelar em doses individuais

Notas

- Tem pressa e não quer esperar 4 horas para demolhar as sementes? Então em vez de água fria utilize água bem quente para demolhar, bastam 20 minutos e já está.

- O robot ou processador é um acessório essencial nesta receita. Quanto mais potente for mais cremosas ficam as natas. 

- Se as natas estiverem muito grossas para o seu gosto acrescente um pouco de água, se estiverem muito liquidas pode juntar mais uma colher de sopa de sementes (não precisa demolhar)
Tenha em atenção que ao serem cozinhadas as natas irão engrossar.

-Pode personalizar as suas natas: juntar alho em pó, pimenta, ervas aromáticas... Ou para uma versão doce junte geleia de arroz ou açúcar de coco.

- Agite bem o fresco antes de usar, ou então mexa com uma colher.

- Depois de congeladas, as natas devem ser usadas em pratos cozinhados.


Grão com pimentos (vegan, sem glúten)

18 de julho de 2021

Se esta receita tivesse um daqueles nomes da moda, seria de certeza "mediterranean vibes".
Já é conhecida a minha preferência por ingredientes sazonais e locais e este prato é em tudo fiel a isso.
As cores e sabores são típicos da nossa terra e sem dúvida que são abundantes sobretudo na época de verão.
Grão de bico, tomate, pimento e curgete juntos num prato simples, despretensioso e delicioso que nos transporta para os dias quentes de verão e refeições feitas ao ar livre.





Faz-se rapidamente e é perfeito para um jantar mais apressado ou um almoço leve. As sobras são óptimas para levar no dia seguinte na marmita ou para congelar.

Esta receita é:

- Saudável
- Simples
- Vegan
- Sem glúten
- Rápida
- Rica em fibras e proteínas 
- Feita com ingredientes locais
- Feita numa única panela

Além disto é bastante adaptável  e podemos usar o que temos em casa. Se não tiver curgete pode usar cenoura ou beringela, o grão pode ser substituído por feijão branco, o manjericão por coentros…  As combinações são imensas e de cada vez terá um prato diferente.
Como acompanhamento sugiro batatas cozidas mas fica igualmente bom com quinoa, arroz ou millet.




Grão com pimentos
(para 2 pessoas)


1/2 cebola picada
2 dentes de alho picados
2 colheres de sopa de azeite
1/2 pimento vermelho cortado em tiras finas
2 tomates picados
1 curgete pequeno cortado em quadrados pequenos
200g de grão cozido
1 colheres de chá de alecrim seco
Sal
Pimenta
Folhas de manjericão ou coentros q.b.
5 ou 8 azeitonas cortadas 

Numa frigideira grande ou num tacho comece por juntar a cebola com o azeite e deixe cozinhar durante 5 minutos.
Junte os alhos picados, o pimento e o curgete e cozinhe mais 5 minutos.
Junte os tomates partidos em pequenos pedaços e o grão cozido.
Tempere com sal e pimenta e deixe cozinhar tapado durante 15 minutos.
Destape, junte o alecrim seco e deixe cozinhar até os líquidos evaporarem.
Apague o lume e junte as azeitonas cortadas em rodelas e as folhas de manjericão / coentros cortadas.





Muffins de espinafres (vegan, sem glúten nem açúcar)

12 de maio de 2021


A comida para mim deve ser divertida, apelativa, carregada de estímulos a todos os níveis.
Não é por acaso que a grande maioria das minhas receitas são coloridas, com muitas ervas, especiarias e com texturas variadas no mesmo prato. Isso estimula-me, desafia-me e sobretudo diverte-me.
Fazer uns muffins verdes há muito que pairava na minha mente. A ideia não é inovadora, mas eu queria uns muffins vegan, sem glúten e sem açúcar refinado mas que ao mesmo tempo tivessem uma boa textura e que fossem uma forma de introduzir os espinafres sem que isso comprometesse o sabor.


Sabia à partida que a cor verde não seria tão intensa como se vê em muitas fotografias, o uso de farinhas integrais não o permite, mas queria que tivessem ao menos essa tonalidade. Acreditem que na maioria das vezes as cores intensas que vimos por aí se devem a corantes artificiais, aqui eu apenas queria que fossem os espinafres a colorir.
A oportunidade de os fazer surgiu com as sobras de folhas de espinafres do último workhsop que caso não fossem usadas se estragariam rapidamente.
Confesso que me preparava para um falhanço, mas por sorte ou não, à primeira tentativa os resultados ficaram óptimos. Textura perfeita, nada maçuda, cor verde e o sabor incrível que, garanto, nada sabe a espires.

Esta receita é mais uma forma de introduzir legumes despercebidamente, coisa bastamente recorrente por aqui no blogue, e na minha opinião é perfeita para crianças que normalmente se recusam a comê-los. Pode até chamá-los de "muffins Shrek" para os convencer a provar, mas provavelmente não será necessário, a cor verde será apelativa o suficiente e despertará curiosidade. 
São ainda uma forma deliciosa de aproveitar folhas de espinafres que tenham sobrado ou que estejam em fim de vida.
Experimentem, não se irão arrepender.


Muffins de espinafres

(rende cerca de 10 muffins)

120g de espinafres frescos (não use congelados)
100 ml de "leite" vegetal
80 ml de geleia de arroz / mel / geleia de agave
180g de bananas
1 colher de sopa de vinagre
30g de óleo de coco amolecido
130g de farinha de aveia
40g de polvilho doce ou de amido de milho
2 colheres de chá de fermento para bolos
1/2 colher de chá de bicarbonato de sódio
1 colher de chá de extracto de baunilha
1 pitada de sal

Ligue o forno a 180ºC.
Prepare as formas de muffins. 
Lave os espinafres e seque-os com um pano.
Numa picadora ou num robot de cozinha, coloque as folhas de espinafres, a bebida vegetal, a geleia, o óleo de coco, o vinagre e as bananas. Pique tudo até obter uma espécie de batido.
Noutra tigela misture as farinhas, o fermento, o bicarbonato e o sal. 
Junte o conteúdo das duas tigelas, junte o extracto de baunilha e misture tudo até obter uma massa homogénea, não precisa bater a massa uma vez que não contem glúten.
Coloque nas formas de muffins e leve ao forno durante 30 - 35 minutos até estarem cozinhados por dentro.
Retire do forno e deixe arrefecer em cima de uma rede.
Depois de frios guarde numa caixa fechada com um papel em baixo e outro por cima dos muffins. Assim durarão mais tempo.