Granola de galetes e amendoim (vegan, sem glúten, sem açúcar)

25 de abril de 2017


Cá em casa nada se estraga. Raramente deito fora legumes que estejam velhos porque há sempre uma sopa que se pode fazer ou um salteado, a fruta mais madura tem sempre fim  num bolo, num crumble ou em compotas, a quinoa ou o millet que sobraram do jantar faz umas boas papas para o pequeno almoço do dia seguinte, o grão ou feijão que sobraram viram hambúrgueres...
Por aqui dá-se sempre uma segunda vida aos alimentos, e sobretudo tenta-se não comprar de mais. Compramos à medida que precisamos, assim temos sempre legumes e fruta frescos e não sobrelotamos a dispensa e os armários com inúmeros pacotes.



Já falei aqui várias vezes sobre o meu desagrado pelas as galetes de milho ou de arroz. As de milho ainda as tolero, mas sinceramente, sou incapaz de as comer sem fazer aquele ar de criança que está a comer obrigada.
No entanto, por algum motivo, os pacotes das ditas vão-se acumulando cá em casa. Ou a mãe compra e depois dá-mas porque já está farta, ou o marido compra cheio de entusiasmo e depois esquece-se, o que sei é que há sempre um ou dois pacotes a olharem para mim de cada vez que abro o armário.
Custa-me deitá-las fora, mas comê-las também é um tédio... e as pobre coitadas lá vão ficando.
Tenho arranjado algumas maneiras mais básicas de as comer (com manteiga de amendoim, com compota, chocolate...) , mas a minha mente criativa não se fica por aqui. Afinal de contas, estas bolachas têm imenso potencial: são crocantes, o sabor é neutro, são baratas, isentas de glúten e relativamente saudáveis (em comparação com outras bolachas).



Já tinha publicado anteriormente a receita de umas pipocas feitas com as galetes (veja aqui a receita), e foi neste momento que comecei a olhar para elas com outros olhos.
Desta vez trago uma granola daquelas impossíveis de parar de comer! As galetes tornam-na super crocante, muito leve, e o sabor da manteiga de amendoim e da canela fazem dela uma das melhores granolas que já fiz.
Se tem galetes em casa a pedir para serem comidas, experimente esta granola.


Granola de galetes de milho
(rende 1 frasco)

80g de galetes de milho
100g de flocos de aveia grossos *
50g de frutos secos picados (amêndoas , nozes, cajus...)
50g de sementes (abóbora, linhaça, chia, girassol...)
50g de manteiga de amendoim
40g de óleo de coco liquido
100g de geleia de arroz
1 colher de chá de canela em pó
1 pitada de sal

Coloque as galetes aos bocados numa picadora e pique grosseiramente. Em alternativa parta-as à mão em pequenos pedaços.
Numa tigela junte as galetes, a aveia. os frutos secos picados, as sementes e misture tudo.
Noutra tigela misture a geleia de  arroz, a manteiga de amendoim, o óleo de coco, a canela e o sal.
Junte o conteúdo das duas tigelas e envolva tudo muito bem.
Forre um tabuleiro grande com papel vegetal e espalhe a granola.
Leve ao forno durante 20 minutos, mexendo ocasionalmente.
Apague o forno e deixe ficar lá dentro o tabuleiro com a granola durante mais 20 minutos.
Retire, deixe arrefecer e guarde num frasco.

*Verifique se contêm glúten, se necessário.

Coroa integral de canela e amêndoa (vegan e sem açúcar)

5 de abril de 2017


Quando vejo o sol a brilhar, os dias mais longos, o corpo que finalmente começa a aquecer e as camadas de roupa gradualmente a diminuírem, sinto uma alegria tremenda, como se todas as células do meu corpo vibrassem com a chegada da Primavera.
A minha energia aumenta (sim, mais ainda!), a vontade de fazer coisas, de criar, de passear, de atrasar a hora de chegar a casa para poder aproveitar o último restinho de sol.


Foi num destes meus passeios tardios, que ao passar por a montra de uma daquelas pastelarias icónicas, vi uma trança de amêndoa e canela lindíssima e veio-me à memória o quanto eu gostava deste bolo em pequena. A massa brioche com as espirais de manteiga e canela é absolutamente divinal, e como a saudade soou mais alto, achei que com paciência poderia criar uma versão mais saudável.




Nasce assim esta coroa (que também pode ser uma trança), numa versão integral, sem ovos, e sem açúcar refinado. Feita com ingredientes que nos fazem bem, que nos nutrem, e que nos satisfaz de tão boa que é.
É uma receita especial porque mesmo os mais apressados podem ter uma massa fantástica sem terem que esperar que ela fermente, como costuma ser nas receitas tradicionais. Como também não sou a pessoa mais paciente do mundo, criei uma massa que pode ser levada logo ao forno porque todo o processo de crescimento é lá que acontece sem prejudicar em nada a sua textura.



Já a fiz com dois recheios diferentes, mas como foi difícil escolher qual a melhor, deixo-vos as duas. 
Uma delas feita com óleo de coco, tem um sabor diferente, mais intenso, com o coco a predominar; a outra feita com manteiga de amêndoa mais suave, que realça a presença da amêndoa e mais semelhante ao sabor a que estamos habituados. 
Deixo ao vosso critério a escolha, ou então façam os dois!
É o tipo de receita que prova que até um doce tradicional pode ser adaptado e tornar-se mais saudável e pleno.
Este ano vai ser de certeza presença obrigatória na mesa de Páscoa e tenho a certeza que vai agradar até às bocas mais esquisitas.


Coroa vegan de canela e amêndoa

Recheio
50g de açúcar de coco ou xilitol
2 colheres de chá de canela em pó
50g de óleo de coco à temperatura ambiente
ou 70g de manteiga de amêndoa (de preferência feita com amêndoas tostadas)
30g de amêndoas picadas tostadas

Massa
250g -300g de farinha de espelta integral
7g de levedura de padeiro seca
2 colheres de chá de fermento em pó
1/2 colher de chá de sal fino
200ml de leite vegetal morno
20g de óleo de coco (liquido)
1 colher de sopa de açúcar de coco ou xilitol

Para decorar (opcional)
xiliol moído até ficar em pó

Comece por preparar o recheio:
Numa tigela misture o açúcar de coco ou o xilitol, a canela em pó e a manteiga de amêndoa ou o óleo de coco, até formar uma pasta.

Ligue o forno a 180ºC.
Para fazer a massa mistura numa tigela o leite morno, o açúcar de coco ou xilitol e o óleo de coco.
Noutra tigela misture a levedura, o fermento em pó e 200g de farinha de espelta.
Com uma colher de pau, misture o conteúdo das duas tigelas e envolva bem.
Aos poucos vá acrescentando a restante farinha, até obter uma massa que se despega da tigela e seja fácil de manusear. Pode precisar de mais ou menos farinha, depende da sua qualidade.
Amasse durante 5 minutos e deixe descansar 10 minutos.
Coloque a massa numa folha de papel vegetal e com o rolo da massa estenda-a até ficar com uma espessura de 0,5cm  e dê-lhe a forma de um rectângulo.
Barre o rectângulo com o recheio que preparou e por cima coloque amêndoas picadas.
Enrole o rectângulo de massa como se fosse uma torta.
Corte este rolo ao meio no sentido longitudinal, de modo a ficar com 2 tiras.
Enrole-as uma na outra e una as duas pontas para formar uma coroa.
Coloque-a num tabuleiro forrado com papel vegetal e leve ao forno durante 20 - 25 minutos.
Deixe arrefecer numa rede.
Depois de fria pode polvilhar com xilitol moído até ficar em pó.



Brownies vegan de tofu e amêndoa . Vegan tofu almond brownies

20 de março de 2017

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Pode parecer estranho, mas acreditem, nunca comprei um bolo de chocolate. Nem com creme, nem simples, nem com mousse ou o que quer que seja. Com molho de chocolate então nem pensar! Não sei se por falta de oportunidade ou por falta de vontade, a verdade é que os bolos e bolinhos com sabor a chocolate sempre me passaram ao lado. Os brownies estão obviamente aqui incluídos.
Só mais recentemente é que aprendi a apreciar o sabor achocolatado na pastelaria. Consegui perceber o que faz tantas pessoas perderem a cabeça com este sabor, e sobretudo aprendi a utilizá-lo nas minhas receitas. Percebi que se usasse um chocolate de boa qualidade, com uma boa percentagem de cacau, de preferência sem açúcar, podia fazer bolos, tartes , bolachas e gelados deliciosos, que até aos meus olhos parecem irresistíveis.
Voltando aos brownies, os únicos que comi foram feitos por mim e curiosamente em versões mais saudáveis. Não sei como é a versão "normal" , mais sei que estas que tenho partilhado convosco são óptimas e me fizeram render ao sabor do chocolate nos bolos.
Estes são particularmente especiais e já passaram por vários testes de aprovação.
Além disso têm como base um dos meus ingredientes preferidos para fazer doces saudáveis: o tofu sedoso.
Quem conhece o meu livro ou já foi aos meus workshops, sabe que o adoro e que utilizo com frequência não só pela sua versatilidade e óptima textura que confere, mas também pelo seu valor  nutricional. 
É quase isento de gordura e hidratos de carbono, mas muito rico em proteínas, ferro, cálcio e magnésio. É uma excelente alternativa às natas, queijo e por vezes até aos ovos.
Pode parecer estranha à primeira vista, mas não deixe de experimentar esta receita. O tofu é completamente imperceptível e torna os brownies  irresistivelmente suaves, sem necessidade de utilizar ovos ou natas.
Esta é uma daquelas receitas que se pode mesmo dizer "Nem acredito que é saudável!".





Brownies de tofu e amêndoa

160g de chocolate preto 70% cacau
200g de tofu sedoso (pesado depois de escorrido)
100g de xilitol
60g de farinha de amêndoas
100g de farinha de espelta integral
25g de amido de milho
150ml de leite vegetal (à escolha)
1 colher de chá de aroma de baunilha
1/2 colher de chá de bicarbonato de sódio
60g de amêndoas picadas + algumas para decorar

Coloque o tofu sedoso a escorrer num escorredor durante pelo menos 20 minutos. Vá apertando para sair toda a água.
Pré aqueça o forno a 180ºC.
Forre um tabuleiro com 20cm x 20cm com papel vegetal.
Derreta em banho maria o chocolate.
Numa taça junte as 200g de tofu sedoso com o chocolate derretido e bata tudo.
Noutra tigela misture as farinhas, o amido, o bicarbonato, o xilitol e a baunilha.
Junte a mistura do chocolate com a das farinhas, bate tudo. Acrescente o leite. Volte a bater.
Envolva as amêndoas picadas.
Coloque a massa no tabuleiro forrado e decore com mais algumas amêndoas picadas.
Leve ao forno durante 20-25 minutos. Não deixe cozer demais, o centro do brownie deve estar firme, mas ceder ligeiramente à pressão do dedo.
Retire, deixe arrefecer completamente antes de desenformar.
Corte em quadrados.
Guarde no frigorífico e retire alguns minutos antes de servir.


Tofu almond brownies
160g vegan dark chocolate
200g silken tofu (weigh after draining water)
100g xylitol
60g almonds
100g whole spelt flour
25g cornstarch
150ml non-dairy milk
1 teaspoon vanilla aroma
1/2 teaspoon baking soda
60g chopped almonds, plus some to garnish

Place the silky tofu in the sink drain it for at least 20 minutes. Squeeze all the water out.
Preheat the oven to 350°F. Line an 8x8-inch tray with parchment paper.
Melt the chocolate in water. In a bowl, add the silky tofu with the melted chocolate and beat everything.
In another bowl, combine the flour, starch, baking soda, xylitol, and vanilla.
Add the chocolate mixture to the flour mixture and mix everything.
Add the milk and mix it again. Fold in the chopped almonds.
Put the dough in the lined pan and garnish it with a few chopped almonds. Bake it for 20-25 minutes.
Remove, allow the brownies to cool completely before unmolding.




Arroz preto e arroz vermelho, o que são e como cozinhar. Black and red rice, how to cook them

1 de março de 2017

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Apresento-vos a minha nova paixão no que toca a acompanhamentos. O arroz vermelho e o arroz preto, vieram-me parar às mãos por um acaso e rapidamente se tornaram numa espécie de vício cá em casa.
Curiosamente apercebi-me que neste tempo todo de blog, nunca tinha publicado uma receita com arroz. Talvez não seja por acaso, a verdade é que o arroz branco raramente entra na minha ementa, e pelo integral não nutro grande paixão (perdoem-me os fãs), restava-me o basmati que sendo um arroz de grão longo era bem mais saudável, mas que ainda assim quase sempre fica para trás havendo outras alternativas como a quinoa ou o millet.


Apareceram-me entretanto estas duas variedades de arroz, que logo me encantaram e que nutricionalmente preenchiam os requisitos que pretendo no que toca a um hidrato de carbono.
Não estão ainda muito divulgados e talvez as suas cores diferentes não sejam muito apelativas em comparação com o seu primo branquinho, mas valem pelo sabor maravilhoso, pleno, com um toque a frutos secos e sobretudo pelas suas propriedades.
É por isso que não podia deixar de os trazer para a nova ronda do Desafio Saudável de um dos meus blogs do coração, o Limited Edition. Desta vez a Maria pede-nos para partilhar não só uma receita mas a história por trás dela e o porquê de nos fazer sentir bem e saudáveis.
E  é assim que estes arrozes me fazem sentir, fico realmente feliz que tenham entrado na minha vida!


Não me vou alargar em grandes explicações sobre cada um deles, porque para isso basta buscarem na Internet, mas gostava de partilhar alguns aspectos que penso serem interessantes,  para que tal como eu, possam fazer as vossas escolhas em relação ao arroz.

ARROZ PRETO
É conhecido como " o arroz proibido" porque na China Antiga , devido às suas propriedades e escassez, era apenas consumido pelos Imperadores, sendo proibido à restante população.
A sua cor preta-arroxeada deve-se à grande quantidade de antioxidantes que contem (tal como os mirtilos ou as amoras), especialmente antocianinas. De facto é o cereal com maior quantidade de antioxidantes deste género.
Tem uma grande quantidade de fibra, superior à do arroz integral, e sobretudo é muito rico em ferro, proteínas e vitamina E.
Em termos de valores nutricionais é superior aos restantes, o que o torna a melhor opção.
Não deve ser confundido com o arroz selvagem, desse senhor falarei um dia destes, prometo!

ARROZ VERMELHO
Nutricionalmente não difere muito do arroz integral, o que o distingue sobretudo é a quantidade de antioxidantes, nomeadamente as protoantocianidinas que lhe dão a cor vermelha.  Tem uma boa quantidade de magnésio e cálcio e vitamina B6. De todos é o que apresenta maior quantidade de ferro.

Preparei uma pequena tabela para que seja mais fácil fazer comparações*



Proteína g/100g
Ferro g/100g
Fibra g/100g
Arroz branco
6,8
1,2
0,6
Arroz integral
7,9
2,2
2,8
Arroz vermelho
7
5,5
2
Arroz preto
8,5
3,5
4,9


Como se vê estas duas opções de arroz são uma excelente alternativa ao arroz branco que pouco nos tem para dar. A sua quantidade de fibra e de proteínas, são para mim a sua grande mais valia, principalmente para quem busca manter os níveis de açúcar no sangue estáveis.


Apesar de eu ser já um pouco associada às receitas com baixa quantidade de hidratos de carbono, isso não significa que ache que uma alimentação inteligente deva abdicar deles por completo. Reduzir a sua ingestão é muito útil em determinados casos, em determinadas pessoas e em alguns momentos da nossa vida, mas retirá-los é estar a suprimir nutrientes importantes para o funcionamento do corpo.
Devemos sim escolher os hidratos de carbono que consumimos. Optar sempre pelas versões integrais, por aqueles com maior quantidade de fibra, proteína, vitaminas e minerais. Fazendo esta escolha conseguimos ter hidratos de carbono com menos impacto no nosso índice glícémico e consequentemente menos impacto na nossa saúde, principalmente o aumento de peso que tanto preocupa.


Arroz preto ou vermelho
(serve 2 a 3 pessoas)

1 chávena de chá de arroz vermelho ou preto
3 chávenas de água
sal q.b.
1-2 dentes de alho picados (opcional)
azeite q.b. (opcional)

Cubra o arroz com água e deixe de molho durante pelo menos 2 horas. O ideal será ficar de molho de um dia para o outro.
Passe o arroz por um escorredor e descarte a água onde esteve de molho.
Lave-o bem com água corrente.
Coloque o arroz num tacho com as 3 chávenas de água, sal, e alho se quiser. Leve a cozer durante 30-40 minutos até o arroz estar macio e ter absorvido toda a água.
Regue com um fio de azeite se desejar e rectifique os temperos.
Tape o tacho durante 10 minutos e depois solte o arroz com um garfo.
Sirva como acompanhamento ou se preferir sirva frio em saladas.



Recipe in English


Simple black or red rice
(serves 2-3)

1 cup of red or black rice
3 cups water
Salt to taste
1-2 cloves garlic, minced (optional)
Olive oil  (optional)

Cover the rice with water and soak for at least 2 hours, or overnight if you can.
Drain and discard the soaking water.
Wash thoroughly.
Put the rice in a pan with the 3 cups of water, salt, and garlic if you want. Bring to boil for 30-40 minutes until the rice is soft and has absorbed all the water.
Drizzle with a olive oil if desired and rectify the seasoning.
Cover the pan for 10 minutes and then loosen the rice with a fork.
Serve hot as or if you prefer use cold in salads.


Se quiserem também participar neste desafio poderão fazê-lo. Enviem um email para lim.edition2012@gmail.com . Se reproduzirem nas vossas cozinhas alguma das propostas aqui apresentadas, utilizem o #desafioreceitasaudável e partilhem connosco as vossas versões e interpretações para que todos possamos contribuir para um estilo de vida mais saudável que passa pela comida, mas não se esgota nela.

*Fontes utilizadas: 
-Corleone, J. (2015). www.livestrong.com. Nutrition Differences in Black & Brown Rice. Retrieved from: http://www.livestrong.com/article/543493-nutrition-differences-in-black-rice-vs-brown-rice/ 
-http://www.fao.org/rice2004/en/f-sheet/factsheet3.pdf
-Wikipedia.org
-https://ndb.nal.usda.gov/ndb/search/list

Bombons de caju (vegan, sem açúcar, sem glúten) . Cashew chocolates (vegan, sugar and gluten free)

12 de fevereiro de 2017

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Ainda me lembro quando no nosso primeiro dia de S.Valentim juntos, me disseste muito a medo: "Não ligo muito a isto sabes? Fazes muita questão de comemorar o Dia dos Namorados?  Há demasiada confusão para mim , mas se for muito importante para ti, eu estou contigo."
Não precisei responder, bastou sorrir. Tu já sabias  a minha resposta. Sempre fomos assim, se um diz "mata", o outro diz "esfola" e ainda hoje, passados tantos anos, continuamos sem comemorar o dia de S. Valentim. Não por teimosia, ou porque queremos ser diferentes, apenas porque não nos faz sentido. 
Não precisamos de um dia especial para darmos prendas um ao outro, para passearmos, para jantarmos fora  ou para namorarmos. Celebramos o nosso amor sempre que nos apetece, a cada dia que passa, por mais banal que possa parecer.

Ainda assim, qualquer dia é bom para te oferecer bombons não achas?
Também sei a tua resposta, estás sempre pronto para seres o meu "degustador oficial", embora eu saiba que na realidade és é muito guloso e nunca dizes que não a um chocolatinho.
E estes eu sei que vais adorar. São recheados com manteiga de caju, a nossa preferida, envolvida com uma camada fina de cacau. Ah, e sem açúcar refinado, porque sabes como eu sou e adoro cuidar da tua saúde.


Podem ser ou não para oferecer no dia dos namorados, mas não deixe de fazer estes bombons, quem os comer vai de certeza ficar muito feliz!
São deliciosos, feitos com alimentos muito saudáveis,sem precisarem de levar as quantidades enormes de açúcar e gordura que normalmente os bombons de compra apresentam.
Conservam-se muito bem no frigorífico, ou se preferir deixe-os no congelador e vá tirando um sempre que apetece um miminho.
Se preferir pode utilizar manteiga de amêndoa,de amendoim ou  de avelã, a escolha é sua, mas a de caju é realmente muito especial neste contexto e faz um recheio absolutamente irresistível.
Se como eu não tem moldes para bombons, utilize os moldes de fazer gelo, desde que sejam em silicone, resolve muito bem a situação.



Bombons de caju
(rende cerca de 12 bombons)

Recheio:
90g de manteiga de caju *
40g de tâmaras pesadas sem caroço (de preferência medjool)
2 colheres de sopa de xarope de ácer ou geleia de agave
1 colher de sopa de óleo de coco à temperatura ambiente
1 pitada de sal fino
1/2 colher de chá de extracto de baunilha

Numa picadora ou no robot de cozinha, pique todos os ingredientes até obter uma pasta homogénea. Verifique se precisa de mais geleia ou de sal.
Reserve.

Cobertura de chocolate:
20g de cacau em pó
80g de óleo de coco liquido
1 pitada de sal fino
1 colher de sopa de geleia de agave ou de xarope de ácer
1/2 colher de chá de extracto de baunilha

Numa tigela dissolva muito bem todos os ingredientes no óleo de coco em estado liquido.

Para fazer os bombons:
Utilize moldes de bombons em silicone, são mais fáceis de desenformar.
Em cada orifício do molde coloque uma colher de cobertura de cacau e pincele de modo a cobrir tudo.
Leve ao congelador durante 10 minutos.
Retire do congelador e no centro de cada orifício coloque  uma colher do recheio que preparou.
Leve ao congelador durante mais 10 minutos.
Coloque por cima do recheio mais um pouco de cobertura, de modo a que fique todo coberto.
Leve de novo ao congelador até os bombons estarem bem sólidos.
Desenforme e deixe-os um pouco à temperatura ambiente antes de comer.
Pode conservá-los no frigorífico ou no congelador.

* Pode usar manteiga de caju de compra ou fazer a sua. Para isso coloque 90g de cajus, torrados ou em cru numa picadora potente e pique até que comecem a libertar o seu óleo e formem uma pasta.


Cashew chocolates
(yelds 12 chocolates)


For the Filling:
3.2 ounces cashew butter
1.4 ounces pitted dates
2 tablespoons maple syrup or agave syrup
1 tablespoon coconut oil at room temperature
A pinch of fine salt
1/2 teaspoon vanilla extract

For the Chocolate Coating:
2 3/4 tablespoons cocoa powder
1/3 cup, plus 2 3/4 tablespoons coconut oil
A pinch of fine salt
1 tablespoon agave nectar
1/2 teaspoon vanilla extrac

Blend all the filling ingredients into a homogeneous paste.
Taste the filling and sweeten as needed.
Set it aside.
Mix all of the ingredients for the chocolate coating together until they are well combined.
Use silicone candy molds and in each hole of the mold,  place a spoon coating in each mold.
Freeze them for 10 minutes.
Remove them from the freezer and, in the center of each hole, place a spoonful of the filling.
Freeze them for another 10 minutes.
Cover this with more coating.
Return them to the freezer until the chocolates are solid.



Bolachas de figo e amêndoa (vegan, sem açúcar, sem glúten). Almond fig crackers (vegan, sugar and gluten free)

2 de fevereiro de 2017


Pronto, é oficial, estou farta do Inverno! Por favor Verão, volta! Perdoem-me os fãs desta estação, mas este tempo é demasiado complicado para mim. Ora vem um frio de rachar que me faz andar com camadas e camadas de roupa e mesmo assim tiritar de cada vez que saio à rua, ora vêem estes dias de chuva, tristes, cinzentos, com os incómodos guarda-chuvas que encalham em todo o lado ou que nos molham as pernas nos transportes públicos.... Não, decididamente o Inverno não me convence. Até a velha história das tardes quentinhas passadas enrolada na manta enquanto chove e faz frio lá fora, para mim não funcionam.  O meu excesso de energia não me deixa estar muito tempo sentada, e andar em casa de um lado para o outro enrolada em mantas ou a cozinhar de robe, não é lá muito prático.




Dou por mim a pensar em cenários de verão, com o sol a brilhar, campos floridos e praias com palmeiras. Acho que a minha mente anda a arranjar escapes para tornar estes dias mais fáceis (espero que isto não aconteça só comigo).
Consolam-me as tardes de Sábado em que aproveito que o frio e as chuvas não me deixam sair, para criar novas receitas e usar e abusar do forno que sempre ajuda a manter a cozinha quente.
Foi numa destas tardes que nasceram estas bolachas. Os dois ingredientes principais que utilizei, o figo e amêndoa, tão típicos do Algarve, talvez tenham sido uma escolha inconsciente inspirada por estes meus devaneios pelos cenários de calor



A combinação é perfeita, não fosse ela um clássico, e tão fácil que não sei como não me lembrei disto mais cedo. 
O doce do figo é o bastante para adoçar estas bolachas, mas os mais gulosos devem adicionar algo mais para ficarem satisfeitos. Escolha os mais docinhos e de preferência biológicos.
A farinha de amêndoa, além de ser uma delícia, cria uma textura super crocante e é uma forma maravilhosa de termos umas bolachas isentas de glúten e com menos hidratos de carbono. Caso tenha dificuldade em adquiri-la pode fazer a sua. Basta triturar a amêndoa até ficar com uma textura de farinha. É preciso ter cuidado porque facilmente passa do ponto e ficamos com manteiga de amêndoa em  vez de farinha. 
Se também ficou com um belo stock de figos secos e amêndoas que sobraram do Natal, então não deixe de experimentar estas bolachas, são deliciosas e o cheiro que deixam na casa enquanto cozem é absolutamente irresistível.





Bolachas de figo e amêndoa

120g de farinha de amêndoa
80g de figos secos + 2 figos para cortar em pedaços
1 colher sopa geleia de arroz ou de agave ou xilitol (opcional)
1 colher de sopa de óleo de coco à temperatura ambiente
1/2 colher de chá de aroma de baunilha
1 pitada de sal fino

Ligue o forno a 160ºC.
Retire os pezinhos aos figos.
Numa picadora pique as 80g de figos  até estarem quase desfeitos. Junte a farinha de amêndoa e os restantes ingredientes (excepto os 2 figos). Pique tudo muito bem até obter uma pasta que formará uma bola com uma textura de plasticina. Se estiver muito seca e difícil de ligar junte uma colher de chá de água.
Corte os 2 figos que reservou em pequenos pedaços, de preferência fininhos, e envolva-os na massa com as mãos.
Coloque a massa entre 2 folhas de papel vegetal e com o rolo da massa estenda-a até ficar com uma espessura com cerca de 5mm. Retire a folha de cima e com a ajuda de um corta-massas faça as bolachinhas até esgotar a massa. Coloque-as num tabuleiro forrado com papel vegetal e leve ao forno cerca de 20 minutos, até começarem a ficar douradas nas pontas.
Nota pessoal: eu gosto de apagar o forno um pouco antes do tempo e deixar ficar as bolachas durante mais uns 15-20 minutos. Assim ficam mais estaladiças.
Retire do forno e do tabuleiro e deixe arrefecer numa rede. Guarde numa caixa com tampa.




Caldo verde sem batata

19 de janeiro de 2017


Não sei quanto a vocês, mas para mim, há poucas coisas tão reconfortantes como chegar a casa tarde, depois de um dia a trabalhar, um frio de rachar na rua e comer uma tigela de sopa quente.
A sopa aquece o corpo, aquece a alma, e até serve para aquecer as minhas mãos geladas!
A sopa dá-nos uma sensação de bem estar, de conforto e de nutrição do corpo e da mente que poucos pratos nos conseguem dar.
Não sou esquisita, gosto de praticamente todas as sopas, mas se puder escolher, prefiro-as sem batata. Não sou  uma fã de batatas, por isso praticamente deixei de as usar nas sopas, sobretudo porque me apercebi que ficavam menos pesadas e eram bem mais fáceis de digerir.

O caldo verde, exactamente por ter batata, foi sempre sopa que não apreciava. Era demasiado pesado para mim. Digamos que sendo vegetariana,e não gostando de caldo verde, sou uma péssima companhia nos santos populares!
Foi assim que a minha mãe se tornou uma perita a fazer sopas sem batata (obrigado mãezinha). Hoje, graças às suas mãos mágicas, o caldo verde já faz parte da minha ementa e curiosamente tornou-se uma das sopas que mais faço.



Existem dezenas de receitas de caldo verde sem batata, esta é só mais uma, a minha. É aquela que mais me satisfaz e que parece satisfazer também os que a comem comigo. Uns dias ponho mais couve flor noutros ponho mais chuchu, mas a receita base é esta. Por isso, como resposta a tantos pedidos, finalmente  trago a receita de caldo verde sem batata.
Espero que gostem tanto quanto eu.



Caldo verde sem batata

1 chuchu com cerca de 300 g
1 couve flor com cerca de 250g
4 dentes de alho
1 cebola com cerca de 150 g
1 courgete com cerca de 400 g
180 g de couve para caldo verde
azeite
sal
água
8 rodelas de chouriço de soja ( opcional)

Arranje e parta todos os legumes em pedaços pequenos (à excepção do caldo verde)  e coloque numa panela. Tempere com sal  e salteie ligeiramente no azeite.
Acrescente a água até os cobrir e leve a cozer em lume brando.
Coloque o caldo verde (depois de lavado)  dentro de um cesto para cozer a vapor e ponha-o dentro da panela de modo a que coza simultaneamente com os outros legumes.
Quando o caldo verde estiver cozido, retire-o e verifique se os legumes já estão cozinhados.Triture-os com a varinha e acrescente água até obter um caldo mais ou menos cremoso conforme o seu gosto. Junte  o caldo verde que já está cozido e mexe-se bem. Rectifique os temperos
Pode ser servido acompanhado por rodelas de chouriço de soja.